sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Macaco na corda

Passou da hora de o Arctic Monkeys ser convidado para um Acústico MTV (ou MTV Unplugged, como seria na gringa). Desde o segundo semestre do ano passado eles estão em evidência com o lançamento de "AM", sucessor do bom (porém não tão fantástico) "Suck It And See".

O mais recente álbum dos "macacos árticos" vendeu 100 mil cópias apenas dos dois primeiros dias da semana de estreia, no Reino Unido, e se popularizou nos EUA com hits como "Do I Wanna Know" e "Why'd You Only Call Me When You're High", que, inclusive, recebeu cover de Miley Cyrus (E ficou foda!). Sendo assim, é hora de aproveitar que eles estão por cima da carne seca e simplesmente dar um violão pros moços e filmar.

Desde "Humbug" eles fazem versões com voz e violão fantásticas de músicas que, a princípio, só funcionariam plugadas no 220v. Até a catártica "Crying Lightning" ficou bem nas cordinhas de aço! Na turnê de divulgação do álbum seguinte, uma apresentação do vocalista metido a bonitão com pinta de noiado, Alex Turner, na rádio KEXP, foi fantástica. “Reckless Serenade”, Love Is A Laserquest” e “Suck It And See” ganharam roupagem intimista que rendeu ao rapaz comparações, por parte do locutor do show, com Sam Cooke.



Entrando nessa vibe, seria ótimo que eles revisitassem os primeiros sucessos da carreira com roupagem acústica. “Mardy Bum” já ganhou algumas versões nesse formato complementadas com instrumentos de música clássica. Isso aconteceu em duas edições do festival Glastonbury e em alguns shows avulsos. Eu não reclamaria se eles encontrassem um jeito de transformar “Fake Tales...” e “Perhaps Vampire...” em números para o Unplugged.

Seguindo a vibe, uma setlist imaginário de 10 músicas que eu gostaria que fosse o definitivo para tal evento, caso acontecesse.


  1. Do I Wanna Know?
  2. Crying Lightning
  3. One For The Road
  4. You're so Dark
  5. Mardy Bum
  6. Electric Barbarella (Duran Duran cover)
  7. Arabella
  8. Reckless Serenade
  9. Why'd You Only Call Me When You're High?
  10. 505
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PS: O cover de Duran Duran seria perfeito para coroar a aparente fixação da banda com o grupo britânico e com o filme dos anos 60 Barbarella.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Bater ou correr em Joinville

Recentemente escrevi uma matéria a respeito de pichação para o Jornal de Brasília. Durante a apuração, um rapaz ex-membro de uma gangue me explicou que raramente as atividades destes grupos estão relacionadas somente ao vandalismo gráfico. Geralmente há envolvimento de armas e drogas.

Ao ver as agressões e atitudes absolutamente imbecis e inconsequentes entre atleticanos e vascaínos nas arquibancadas da arena Joinville, no último domingo (9/12), lembrei-me dessa matéria para comparar com as tais "torcidas organizadas". Por que elas seguem como regra nos estádios, e não exceção?

                                                     Foto: Pedro Kirilos/ O Globo

Um dos bons filmes a respeito é o documentário “The Real Football Factories”, produzido por uma emissora britânica e apresentado pelo ator Danny Dyer. Na verdade, são várias partes divididas em episódios, que mostram a realidade (geralmente de violência) de diversas capitais futebolísticas do mundo.

Um dos instantes que mais me chamaram a atenção foi na Argentina, quando uma das torcidas se mostrou a dona do clube. Os “hinchas” tinham livre acesso ao estádio e mandavam e desmandavam dentro das dependências do time (Isso também chocou, e bastante, o apresentador).

No Brasil, as cenas de violência foram as mais explícitas. Ao acompanhar o ônibus de uma torcida organizada do Palmeiras, Danny Dyer presenciou um tiroteio contra o veículo quando saíam do Rio de Janeiro, após um jogo contra o Botafogo, para retornar a São Paulo. O ano era 2007.

Mais de meia década se passou e imagino que um eventual retorno do ator ao Brasil, às vésperas de uma Copa do Mundo, o deixaria ainda mais impressionado, especialmente pela falta de medidas efetivas tomadas para reduzir o problema de uma maneira geral.

Assim como no relato do personagem na matéria sobre pichação, é quase impossível desassociar a atividade de torcidas organizadas com a de gangues criminosas. Da mesma forma que a demarcação de territórios com o uso de grafite é apenas uma das facetas do grupo de pichadores, “torcer” para time A ou time B é apenas a fachada desses bandos.

O filme “Hooligans”, de 2005, apesar da qualidade duvidosa, também retratou isso muito bem. Em alguns pontos, a torcida dos amigos do protagonista sequer assiste aos jogos nos estádios. Eles entram nas arenas só para procurar brigas e provocar quem quer que torça pela equipe rival.

                                          Cena de briga do filme "Holligans", de Lexi Alexander


Sem querer querendo

Por enquanto, a responsabilidade da confusão em Santa Catarina está sendo debatida. O Ministério Público acusa o Atlético-PR, mandante da partida, de não ter providenciado segurança particular adequada. A empresa contratada para cuidar da integridade dos frequentadores da arena tinha apenas 90 homens à disposição, mas alega que havia passado ao clube recomendação para aumentar o efetivo e recebeu resposta negativa.

A diretoria do Furacão, por sua vez, joga a responsabilidade para o MP, que admitiu ter proibido o uso da Polícia Militar para o jogo, mas teria avisado sobre essa decisão à diretoria do clube paranaense. Segundo o jornal Extra, no entanto, o presidente do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia teria dito que se soubesse da ausência de policiamento a partida nem teria começado.

Empurra-empurra é característica muito comum de rodas punk em shows de música. Se está tocando Sex Pistols ou Lou Reed, então, acho até adequado. Mas quando são clubes de futebol e órgãos públicos e privados se batendo sem ao menos um som ligado, é algo simplesmente imbecil.
A irresponsabilidade, portanto, foi de todos, já que cada entidade envolvida parece apenas querer se livrar do problema. E quando digo “todos”, incluo as dezenas de pessoas que partiram para as vias de fato com menos de 20 minutos de jogo.

                                          Foto: Pedro Kirilos/ O Globo


Muito já se falou sobre as providências não tomadas e pouco sobre a grande culpa de cada um que desferiu um soco ou chute naquela confusão. Não são crianças se batendo durante o recreio, são adultos, muitos deles casados e com filhos, acertando pontapés em garotos inconsequentes de 19 anos. Ou então adolescentes imbecilizados por uma sociedade machista extravasando testosterona futebolística sobre marmanjos de mais de 30 anos que pensam ser comum “matar e morrer” por Vasco, Atlético ou XV de Piracicaba.

É que nem Mauro Cézar Pereira disse certa vez no Bate-Bola 1ª edição, da ESPN. “Matar no meio da rua é errado, mas fazer isso dentro do estádio, aparentemente, é perfeitamente legal”. Basta ver que depois da morte do garoto Kevin Espada em Oruro, apesar das prisões dos corintianos durante alguns meses, não sabemos nem se o menor de idade que “confessou” o crime aqui no Brasil é, de fato, o culpado. É muita coisa errada para poucas certezas.

E a solução?

Difícil apontar como resolver o problema. Imagino que os famigerados “especialistas” digam que é preciso fiscalizar melhor, aumentar a segurança e blá blá blá. Mas e na prática? Existem estudos comparativos sendo feitos? Como diminuíram esse problema na Inglaterra? Como controlam as emoções mais violentas em outros esportes, como basquete e futebol americano? Existe algum modelo padronizado de segurança que possa ser percebido em algum lugar e dê certo? É viável, economica e estruturalmente, aplicar qualquer um desses modelos, mesmo que, a princípio, em menor escala, no Brasil? Quais as empresas que poderiam oferecer esse tipo de serviço aos clubes brasileiros, os verdadeiros “donos” do espetáculo?

Não tenho a resposta para a maioria dessas perguntas, mas acredito que quando todas puderem ser respondidas a curto prazo, ao menos um vislumbre de melhora poderá ser visto nos estádios brasileiros. Até lá, tirem as crianças dos estádios porque a coisa tá feia.

domingo, 20 de outubro de 2013

Resenha: Invocação do Mal

Quando eu era bem pequeno, minha vó trouxe dos Estados Unidos uma fita cassete com vários videoclipes compilados do Michael Jackson. Um desses clipes era “Thriller”, que me fascinava e me amedrontava ao mesmo tempo. Lembro claramente de pedir para ela colocar a fita várias vezes, mas quando chegava a parte em que os zumbis saíam da cova, eu sentia medo e me escondia ou pedia para alguém desligar a TV. Mesmo assim, eu sempre queria voltar àquilo.

Desde então, eu assisti a muitos filmes de “terror” (alguns só são rotulados assim mas, sinceramente, não passam de comédia pastelão com cortes rápidos) e busquei algum que me fizesse ter mais vezes essa sensação, algo que consegui, infelizmente, em poucas oportunidades.

Minha mais recente tentativa foi com o badalado “Invocação do Mal”, que se tornou o filme de terror mais bem sucedido comercialmente do século XXI até o momento. Um feito notável, se me perguntarem. Os críticos também gostaram bastante e cheguei à sala de cinema com a expectativa lá em cima. Não fiquei decepcionado ao sair da sala, ainda bem, apesar de não ter sentido o "clique" que me faria considerar o resultado final ótimo.



A história conta como o casal de caça-fantasmas (por falta de denominação melhor), Ed e Lorraine Warren, se envolve com os mistérios que passaram a fazer parte do cotidiano da família Perron. Após puxões de pé à noite, portas rangendo freneticamente e casos de sonambulismo incomuns, os protagonistas decidem ajudar o Sr. e Sra. Perron e suas cinco filhas a se livrar da maldição de uma bruxa falecida.

Durante a sessão, percebi elementos em cena que me remeteram a outras obras, algumas delas relativamente recentes, outras clássicas. Vendo quem era o diretor, nos créditos, entendi pelo menos parte do motivo de certas referências visuais e de roteiro.

James Wan, que comanda esse longa, é também o diretor da série “Jogos Mortais”. Uma figura que aparece frequentemente no filme lembra bastante o boneco que Jigsaw usa em “Jogos” para se comunicar com suas vítimas, por exemplo.

Outras referências são ao “Exorcista” (1973), de William Friedkin, “Os Pássaros” (1963), de Hitchock e, curiosamente, a um filme não tão conhecido chamado “O Despertar” (2011), de Nick Murphy, com a linda da Rebecca Hall fazendo o papel de caça-fantasma em um orfanato. É possível até mesmo fazer analogias estéticas com “O Massacre da Serra Elétrica” (1974), de Tobe Hooper, especialmente na cena em que Wan nos coloca na perspectiva de um operador de câmera amador descendo as escadas de um porão.



Restam poucos elementos realmente originais que mereçam destaque, até porque as maneiras de assustar o público em filmes de terror parecem já ter sido todas testadas à exaustão. Dos sustos puros e simples causados por cortes de cena, a outros que acontecem depois do que a trilha sonora sugere (sabe quando a música vai ficando alta e então, de repente, ela para e você sabe que vai acontecer algo mas demora vários segundos?), passando pelos sempre eficientes “sustos de espelho” e chegando a já exaurida possessão demoníaca.

Mesmo empregando os clichês, no entanto, é possível montar um filme interessante, como “A Morte do Demônio” (2013), de Fede Alvarez, provou de maneira exemplar. Em “Invocação”, o que torna o filme bom são as atuações de Patrick Wilson e Vera Farmiga como Ed e Lorraine e o enredo que, por mais previsível que possa ser, consegue manter o expectador intrigado para saber como diabos o pessoal vai se livrar de tamanha enrascada.

Os personagens principais também foram bem construídos. Suas habilidades específicas se complementam e o fato de eles serem retratados como seres quase tão vulneráveis quanto a família que tentam proteger, se mostrando apenas um pouco mais esclarecidos, ajuda, e muito, a compor o clima de tensão do filme.

A mitologia adotada, porém, poderia ter sido melhor empregada. A história de exorcismo é bastante batida no cinema e o ponto de vista excessivamente católico, ressaltando em demasia a dicotomia Bem e Mal da doutrina, pode soar forçada, para não dizer bem desinteressante, especialmente para quem acredita em outras religiões ou outras formas de além-vida.

No geral, “Invocação do Mal” é um bom filme de terror e que redime algumas porcarias do gênero como “O Último Exorcismo” e “Possessão”. Talvez a recente escassez de obras realmente marcantes (das quais destaco “A Morte do Demônio”, “Mama” e “A Casa Silenciosa” como oásis nesse deserto) tenha levado alguns a enaltecer demais o longa, por comparação, mas é inegável que estamos falando de um produto de qualidade.

PS: Depois de terminar o texto original me lembrei de mais uma referência, bem mais subjetiva do que as outras, é verdade, mas ainda assim digna de nota: vampiros. Além de serem mencionados por Ed Warren em um diálogo com o Sr. Perron, um dos "efeitos colaterais" da possessão demoníaca em um personagem-chave se assemelha às reações de um vampiro ao ser atingido por alho ou pela luz solar. Talvez seja James Wan tentando homenagear Drácula. Quem sabe, né?!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Resenha: Dragon Ball Z: Batalha dos Deuses

Antes mesmo do término da sessão de “Dragon Ball Z: Batalha dos Deuses”, um sentimento se apoderou de mim: o pesar. Não pela qualidade do que estava diante de meus olhos na sala de cinema – o filme mais recente da franquia protagonizada por Son Goku consegue divertir os fãs e é uma baita dose de nostalgia aos mais velhos que curtiam o desenho, apesar de não ser exatamente uma grande aventura. Meu pesar era pelo rumo que a série tomou depois da conclusão da saga Z.

Quem cresceu vendo as aventuras de Goku primeiramente em Dragon Ball, com histórias ao mesmo tempo engraçadas e eletrizantes, coisa que Akira Toriyama foi mestre em criar tanto para o mangá quanto para a série animada, e depois em DBZ, sabe que o forte do desenho são seus personagens marcantes e lutas épicas (como não se lembrar da epopeia de 200 episódios quando Goku e Freeza se enfrentaram?). A saga GT conseguiu destruir tudo isso e ainda engessar qualquer possível expansão do universo Z, já que como é considerada "canon", não faria sentido criar certas histórias sabendo o destino final das personagens.

Em resumo, a saga GT transformou todos aqueles guerreiros formidáveis e infinitamente poderosos da saga Z em personagens facilmente combatíveis e, pior, manipuláveis. O único acerto talvez tenha sido a parte final da temporada, que trouxe os dragões malignos das esferas do dragão em lutas bem desenvolvidas. O resto foi dispensável.



Pois bem, voltemos ao filme. É bom, mas poderia ser bem melhor. Pra começo de conversa, as lutas são bem fracas, ainda mais se comparadas ao último filme de Dragon Ball Z que chegou aos cinemas brasileiros, "A Batalha de Dois Mundos". Se em seu antecessor tivemos desafios divertidos de serem superados (ora, o que dizer daquele pitoresco confronto entre Gotenks e Hitler?), nesta o foco é no humor gerado pelo conflito interno de Vegeta.

O príncipe dos Saiyajins passa boa parte do filme tentando distrair o deus Bills para que ele não destrua a Terra. Por mais que dentro do roteiro Bills seja um deus quase invencível e as atitudes de Vegeta sejam justificáveis, é meio deprimente vê-lo dançando e cantando ao invés de estar xingando inimigos ou disparando "Final Flashes". O enredo dá conta desse aspecto muito bem e é incrível como consegue dar mais profundidade ao relacionamento entre ele e Bulma, mas o que sempre marcou Dragon Ball Z foram as memoráveis lutas, não apenas os alívios cômicos (que provavelmente fazem bem mais sentido para os japoneses).

Na trama, Bills, o Destruidor, acorda de um longo sono e, ao lado de seu “assistente” Whills, decide procurar por um Deus Super Saiyajin, com quem ele teria sonhado e resolvido enfrentar. Eles decidem então ir à Terra interpelar os saiyajins que lá vivem sobre o assunto. O passatempo preferido dos dois é destruir planetas, portanto o Sr. Kaioh teme que, caso não esteja satisfeito em sua busca, Bills faça a Terra desaparecer. Daí cabe aos guerreiros Z, reunidos na Corporação Cápsula para o aniversário de Bulma, entreter a divindade para evitar que o planeta vire poeira cósmica.

E é basicamente isso. O filme intercala muitos diálogos e tentativas de piadas com lutas esporádicas e sem muitos atrativos. Ao menos é um roteiro diferente de todos os outros filmes da franquia, que seguiam a mesma fórmula: vilão chega, derrota todo mundo, Goku se enfurece, Genki-Dama na cara deles.

Apesar da frustração, não há como não se animar com a volta dos dubladores originais. Piccolo aparece muito pouco (uma pena que no próprio desenho animado sua importância para a trama tenha diminuído a cada episódio), mas a voz de Luiz Antônio Lobue é marcante demais para passar despercebida. Da mesma forma Alfredo Rollo traz de volta o Vegeta que todos nos lembramos (nada contra os profissionais contratados para a saga Kai, mas não há comparação com os dubladores originais).



No aspecto técnico, não há nada muito surpreendente. Alguns efeitos em 3D foram usados para os cenários e para alguns golpes, mas às vezes isso até destoa do resto do filme. Apesar disso, alguns pequenos detalhes como as transformações de Goku e os movimentos de Bills chamam a atenção positivamente.

É um filme voltado inteiramente para fãs de Dragon Ball Z, até porque não se preocupa em determinar a origem dos personagens, de fatos mencionados e às vezes nem de piadas. Isso, porém, pode ser positivo para o expectador mais nostálgico, pois ao invés de explicações “inúteis”, o roteiro se preocupa mais em colocar Easter Eggs aqui e ali e a fazer menções a acontecimentos antigos.

Vale ficar para ver os crédito, pois as páginas dos mangás são parcialmente reproduzidas e dá para rever várias partes da história original.