quinta-feira, 23 de junho de 2011

Diario de Bordo

Pelo que vejo no monitor, acabei de deixar mais da metade da floresta amazônica pra trás e, no horário de Brasília, nem 2 da manhã são. Inacreditável como o relógio parece ficar mais devagar quando se viaja, especialmente de avião. O desconforto do trajeto parece não ser castigo suficiente. Não. O tempo tem que passar mais lentamente também, faz parte do pacote. Deviam colocar isso logo de cara ao vender as passagens. Deviam mesmo.


“A paisagem deve ser linda” você pode argumentar. Bem, sei que fala isso só por consolo, pois tanto eu quanto você sabemos que, mesmo dispondo da luz do dia (não é o caso no momento), nada além de nuvens pode ser visto com clareza. Qualiás, até mesmo as sempre presentes nuvens estão encobertas pela asa gigantesca do avião. “Não é seu dia de sorte” você diria. Bem, há uma expressão em inglês que eu gosto de usar e acho que, mesmo havendo uma tradução bastante aproximada em português (minha língua mãe), ela não expressa exatamente o que quero dizer: I Beg to Differ.


Basta dizer que meu destino é Las Vegas. Sim. Aquela cidade do letreiro inconfundível e com os hotéis/cassinos mais famosos do mundo. Um lugar onde prostituas deixam anúncios no meio da rua e não duvido que comecem a panfletar em sinais logo logo. É importante deixar bem claro que eu não possuo os 21 anos de vida necessários para ter acesso às boates e jogatina, mas isso, de maneira nenhuma, diminui as expectativas da viagem. Os Estados Unidos da América é um dos locais mais fascinantes que já visitei (não, nunca fui à Europa). “Lá” as coisas parecem simplesmente funcionar. Tudo o que é desnecessariamente caro e burocrático no Brasil pode ser encontrado facilmente e sem grandes empecilhos na terra do Tio Sam.


Antes que meu anti-patriotismo o atinga bem no meio dos olhos, devo dizer que as pessoas na América são bem diferentes e sua simpatia forçada e frieza que parece exalar por cada poro ainda não me agradam muito. O Brasil é fantástico, apenas saindo dele que dá pra ter a real dimensão disso, mas suas limitações ainda fazem com que deixe muito a desejar. Os turistas adoram, vêem bundas e samba do jeitinho que lhes é informado antes de aterrissarem, mas só sendo brasileiro para entender a relação de amor e ódio com a própria pátria. Eu nasci e moro na capital, Brasília, e entendo bem essa realidade.


Acabei de ver um trovão estourar nas nuvens em volta do avião. Eu não tenho medo dessas coisas. Só achei legal comentar. Acabei de decolar do Rio de Janeiro. Os dias estavam lindos. O sol estava especialmente gostoso e o céu muito azul, um clima realmente agradável. De noite batia uma brisa mais gelada, mas a temperatura continuava boa. Tenho raízes no Rio. E por raízes eu quero dizer que quase nasci lá e grande parte da minha família morou/mora ou tem alguma história com a cidade. Sempre que posso visito meu avô e me encontro com meu lado marrento de “s” puxado. Eu realmente adoro praias e tudo o que elas têm a oferecer. É verão no hemisfério norte e, depois de experimentar a água de Fortaleza, Rio e Florianópolis, preciso comparar com o que vou encontrar no litoral norte-americano. Não fique pensando em Miami. Passarei relativamente longe da Flórida. Minhas aventuras serão majoritariamente na Califórnia, que é um estado. San Francisco, essa sim uma baita cidade, é meu destino mais certo e ouso dizer corriqueiro nesse mês de férias que terei em solo ‘estadosunidense’.


Tudo vai bem e creio que, assim como da última vez, essa viagem será impressionante. Só que, caramba, o tempo podia passar mais rápido dentro desse avião, minhas costas estão me matando. Vou agora sobrevoar a Colômbia. Um abraço.

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